Após a circulação de vídeos, áudios e mensagens atribuídos à facção Comando Vermelho (CV), que acusam um policial militar de participar de um suposto esquema de desvio e revenda de entorpecentes apreendidos, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) divulgou um esclarecimento oficial nesta quarta-feira (16/07), afirmando que o agente mencionado não integra as Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), como vinha sendo divulgado nas redes sociais, mas pertence ao Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran).
Segundo a PMAM, o posicionamento busca corrigir a associação feita entre a unidade especializada e as denúncias divulgadas pelo crime organizado: “A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) esclarece que o policial mencionado em um suposto caso de crime de desvios de drogas apreendidas não pertence à corporação ROCAM”, afirma a nota.
Apesar das acusações, a Polícia Militar reforça que não há confirmação da autenticidade do material divulgado e destaca apenas que o agente citado não pertence ao efetivo da Rocam, mas sim ao BPTran.
CV divulga áudios comprometedores
A repercussão do caso intensificou um cenário de tensão na capital amazonense após a divulgação de um dossiê atribuído ao Comando Vermelho (CV), que reúne áudios, vídeos e mensagens apontando um suposto esquema de apropriação e comercialização de drogas apreendidas por policiais militares.
As acusações foram acompanhadas por episódios de violência, incluindo um chamado “tribunal do crime”, uma execução, ameaças de morte contra agentes de segurança e ataques armados a imóveis ligados a policiais militares.

Entre os materiais divulgados está um áudio atribuído a um suposto policial militar, no qual o interlocutor descreve detalhes de uma abordagem a um caminhão carregado de drogas e relata a suposta divisão da carga entre integrantes da equipe.
“Cada um ficou com três sacos só, mano. É, nós éramos sete da Rocam (…) O resto ficou tudo do meio pra metade dentro do caminhão”, afirma a gravação. Na sequência, o homem relata que um dos policiais, habilitado para conduzir veículos pesados, teria assumido a direção do caminhão interceptado para abandoná-lo em outro local.
Ainda segundo o áudio, o suposto policial afirma que adquiriu um novo chip telefônico para retomar contato com os proprietários da droga e negociar a venda da parte que teria ficado com ele, prática conhecida no meio criminoso como “arrocho”, expressão utilizada para se referir ao desvio de entorpecentes apreendidos.
Investigação
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que atua em duas frentes. Além de buscar identificar e prender os integrantes da facção envolvidos nos ataques armados e homicídios registrados nos últimos dias, a corporação também apura a veracidade das gravações, das denúncias de corrupção, do suposto esquema de desvio de drogas, bem como possíveis crimes de tráfico de entorpecentes e associação criminosa envolvendo agentes públicos.
Até o momento, as autoridades não confirmaram a autenticidade dos áudios nem o envolvimento do policial citado nas acusações. A apuração continua para esclarecer tanto a origem do material divulgado quanto as circunstâncias das denúncias que desencadearam a recente escalada de violência contra agentes de segurança pública em Manaus.








