PM que matou comerciante em Manaus alega “legítima defesa”

O policial militar Waldeney Lopes da Silva, de 49 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) nessa quinta-feira (16/7). Ele é o principal suspeito do homicídio do empresário William Crame, de 32 anos, ocorrido dentro do próprio estabelecimento da vítima no Conjunto João Paulo, bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus.

A captura do servidor público ocorreu após ele deflagrar um ataque violento motivado pela tentativa do comerciante de conter uma briga entre a esposa e o militar. Conduzido à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Waldeney prestou depoimento e alegou que “agiu em legítima defesa”.

Intimidação e ataque registrado em vídeo

As investigações apontam que William e um colega estavam consumindo bebidas no bar, que estava de portas fechadas, quando foram surpreendidos pelos pedidos de socorro de uma mulher vindos da rua. O policial, que estava de folga, estaria tentando agredir fisicamente a esposa.

Ao sair para intervir na discussão e questionar a atitude do suspeito, o comerciante recebeu ameaças de morte e foi atingido por disparos de arma de fogo.

Mesmo ferido, William conseguiu retornar para dentro do bar para buscar abrigo. No entanto, testemunhas registraram o momento em que o policial militar retornou ao estabelecimento, invadiu o local abrindo o portão e efetuou uma sequência de pelo menos 12 tiros.

Cinco dos projéteis atingiram o empresário no peito e um feriu o amigo de William, que já recebeu atendimento e teve alta hospitalar. Após a execução, o PM permaneceu no perímetro tentando intimidar vizinhos e testemunhas que presenciaram a cena, efetuando novos tiros. William foi encaminhado com vida ao hospital, mas faleceu pouco depois.

Abertura de procedimento administrativo 

A gravidade da conduta do agente gerou repercussão na cúpula da segurança pública do estado. Paralelamente ao inquérito penal conduzido pela Delegacia de Homicídios, a Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) da Polícia Militar do Amazonas determinou a abertura imediata de uma Sindicância Administrativa Disciplinar para apurar os atos cometidos pelo sargento e avaliar sua permanência nos quadros da instituição.

Em posicionamento oficial emitido por meio de nota, o comando-geral da Polícia Militar manifestou repúdio ao ocorrido e ressaltou que: “Não compactua com qualquer conduta que esteja em desacordo com a lei e os princípios da instituição”.

O policial militar segue detido em flagrante e aguardará a audiência de custódia à disposição do Poder Judiciário.

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