
Em uma resposta direta à escalada de violência pelo crime organizado, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) anunciou o início imediato de uma megaoperação policial em diferentes regiões da capital. A medida foi adotada após duas residências ligadas a policiais militares se tornarem alvos de intensos atentados a tiros nas zonas Leste e Oeste, acompanhados de ameaças de morte explícitas promovidas por uma facção criminosa.
O secretário da SSP-AM, coronel Anézio Brito de Paiva, anunciou que a mobilização das forças integradas ocupará pontos estratégicos da cidade a partir desta quinta-feira (16/07): “O objetivo da operação é tranquilizar a população. Com todas as especializadas da Polícia Civil e com a terceira malha de atuação da Polícia Militar, vamos desencadear a ‘Operação Ocupação’. A partir de hoje, a operação será nos bairros da Compensa, Novo Aleixo e do Jorge Teixeira. Vamos intensificar as ações de repressão através da Rocam e da Força Tática. E na Polícia Civil, nós estaremos com o CORE”, afirma o coronel.
“O sistema de segurança integrado, com tecnologia e inteligência, estará atuando nesses locais. Justamente para não permitir, de maneira nenhuma, que o crime organizado faça frente ao sistema de segurança pública. Nossas forças estarão reforçadas. O patrulhamento aéreo também estará coordenado. Colocaremos também o nosso sistema Avante em operação, com barreiras e com intensificação de patrulhamento e adentramento tático nas pontes, ruas e vielas”, ressaltou o secretário da SSP-AM.
Primeiro atentado e “recado” de facção
A onda de violência começou na madrugada de terça-feira (14/7), no bairro Jorge Teixeira, zona Leste. Criminosos fortemente armados a bordo de um Ford Ka Sedan preto e sem placas dispararam dezenas de vezes contra a casa do cabo da PM Dantos Magalhães da Costa, lotado no Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran). No momento do ataque, os familiares do policial precisaram se deitar no chão para escapar das balas, que atingiram o muro.
Cerca de 45 minutos depois, por volta de 1h15, o corpo de um homem ainda não identificado foi descoberto com cerca de 20 marcas de tiros nas costas e na nuca no Ramal da Suzuki (Ramal 15), no Distrito Industrial II. Ao lado do cadáver, foi deixado um papel assinado pelo Comando Vermelho (CV) com uma mensagem manuscrita:
"Vou morrer porque estava vendendo droga arrochada do CV que o PM Dantas jnto com a Rocam arrocharam!"
Investigadores da Polícia Civil suspeitam que a facção cometeu um erro de grafia ao escrever “Dantas”, fazendo referência direta ao cabo Dantos Magalhães.


Segundo ataque na zona Oeste
Na noite de quarta-feira (15/7), um novo atentado foi registrado, desta vez na Rua Adalberto Rangel, no bairro Compensa, zona Oeste. A fachada de dois pavimentos de uma residência pertencente a Mirear Magalhães, ex-esposa do policial militar Alexandre da Silva Magalhães, foi severamente alvejada. Ninguém ficou ferido.
De acordo com relatos levados à 8ª Cicom, quatro criminosos executaram o ataque. Dois deles estavam em uma moto vermelha e outros dois em um carro preto — um deles portando um fuzil. A proprietária, Mirear, declarou acreditar que o ato tenha sido uma retaliação direta direcionada à sua família.

Acusações de “arrocho” de drogas e “decreto de morte”
As investigações da Polícia Civil buscam decifrar as conexões entre os ataques e as mensagens que circulam em redes sociais. Recentemente, o Comando Vermelho distribuiu um “decreto de morte” em grupos de mensagens contra o cabo Dantos Magalhães e contra o PM Alexandre da Silva Magalhães.
A facção acusa ambos os militares de terem “arrochado” (termo do submundo para o desvio ilegal de entorpecentes) aproximadamente quatro toneladas de drogas pertencentes ao grupo para revenda a traficantes rivais. Cartazes virtuais com ofertas de recompensa em dinheiro por informações sobre o paradeiro dos policiais também foram disseminados na internet.
Apesar da forte correlação temporal e dos nomes citados, a Polícia Civil do Amazonas reforçou que mantém todas as linhas de investigação abertas e, por ora, não há confirmação formal de conexão da morte com o suposto desvio de entorpecentes. Imagens de câmeras de segurança do entorno dos bairros estão sendo analisadas pelas equipes de inteligência. Ninguém foi preso até o momento.







