Os trabalhadores da construção civil do Amazonas iniciaram nesta quinta-feira (16/7) um movimento grevista após o fracasso das negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027. A categoria reivindica reajuste salarial de 10%, manutenção dos direitos já conquistados e ampliação dos benefícios, enquanto rejeita a proposta de 6% apresentada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sinduscon-AM), considerada insuficiente pelos representantes dos empregados.
O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracomec-AM) informou que a paralisação foi motivada pela ausência de uma nova rodada de negociação e pela falta de uma contraproposta que atendesse às reivindicações da categoria. Segundo a entidade, dirigentes sindicais seguem visitando os canteiros de obras para mobilizar os trabalhadores e explicar os motivos da greve.
Em nota, o sindicato afirma que a proposta patronal não valoriza os profissionais responsáveis pelas obras no estado e prevê mudanças que representam perda de direitos históricos.
“A proposta apresentada pelo setor patronal não valoriza quem constrói o Amazonas. Além de não atender às reivindicações da categoria, ainda tenta retirar direitos conquistados ao longo de muitos anos de luta”, destacou a entidade.

Reivindicações
Entre as principais reivindicações estão um reajuste salarial de 10% na data-base, a garantia de cesta básica para todos os trabalhadores das empresas, a manutenção dos direitos previstos na convenção coletiva, além da implantação de plano de saúde e auxílio odontológico.
O diretor do sindicato, Carles Waldemar, informou que a decisão de iniciar a greve ocorreu porque a categoria não recebeu convocação para uma nova reunião de negociação nem uma proposta considerada adequada.
“Iniciamos hoje o nosso movimento grevista. A decisão foi tomada diante da ausência de uma convocação por parte da empresa para uma reunião de negociação, bem como da apresentação de uma contraproposta condizente com as nossas necessidades”, afirmou.
Segundo o dirigente, a proposta patronal prevê reajuste de 6% dividido em duas parcelas, além de condicionar o recebimento da cesta básica à assiduidade integral, excluindo trabalhadores afastados por atestados médicos, reduzir o número de beneficiários e não conceder plano de saúde nem assistência odontológica.
“A proposta atual não apenas deixa de oferecer melhorias, como retrocede na conquista de direitos fundamentais”, declarou.
O sindicato também argumenta que o setor da construção civil registrou crescimento de 41%, razão pela qual considera injustificável a recusa das empresas em conceder um reajuste superior aos 6% ou 8% discutidos durante as negociações.
“Manteremos a greve enquanto não for apresentada uma proposta decente, que contemple tanto o reajuste salarial quanto a preservação e o aprimoramento da nossa convenção coletiva”, reforçou o representante da categoria.
Impasse na negociação
O sindicato patronal explicou que as negociações ocorreram entre 9 de junho e 7 de julho, mas terminaram sem consenso. Em nota, atribuiu o impasse aos representantes dos trabalhadores.
“As tratativas para a celebração da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 foram frustradas, exclusivamente, pelos representantes dos trabalhadores”, afirmou. Ainda segundo o Sinduscon-AM, as reivindicações apresentadas pelo Sintracomec-AM gerariam custos incompatíveis com a realidade econômica do setor, especialmente diante das mudanças tributárias previstas para 2027.
Enquanto não houver avanço nas negociações, os trabalhadores afirmam que permanecerão mobilizados e mantêm a possibilidade de ampliar a paralisação.
A categoria sustenta que continuará em greve até que seja apresentada uma proposta que contemple um reajuste considerado justo, preserve os direitos já garantidos e amplie os benefícios previstos na convenção coletiva.








