Dois homens foram presos na noite dessa terça-feira (14/7), suspeitos de envolvimento no ataque a tiros contra a residência de um cabo da Polícia Militar do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), identificado como Dantas Magalhães, no bairro Jorge Teixeira, zona Leste de Manaus.
A prisão foi realizada por equipes das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), após um trabalho de inteligência iniciado horas depois do atentado. Enquanto a investigação avança, um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que criminosos disparam cerca de 40 tiros contra a fachada do imóvel, ampliando a repercussão do caso.
O atentado ocorreu durante a madrugada e mobilizou equipes da Polícia Militar e da perícia criminal. No local, foram recolhidas aproximadamente 30 cápsulas de munição deflagradas, e, por questões de segurança, foi necessário reforço policial para retirar o militar da residência. As circunstâncias da ação e a motivação do crime seguem sob investigação.
Durante as diligências, os policiais identificaram um Ford Fiesta que teria sido utilizado pelos criminosos na fuga. A partir da localização do veículo, as equipes chegaram aos dois suspeitos, encontrados nos bairros Jorge Teixeira e Mutirão.
Suspeitos negam acusações
Segundo a Polícia Militar, com um dos investigados foram apreendidos uma pistola calibre .40, munições, porções de entorpecentes com características de cocaína, aparelhos celulares e uma quantia em dinheiro ainda não contabilizada. Todo o material foi encaminhado ao 6º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde os suspeitos permaneceram à disposição da Polícia Civil.
Ao serem apresentados na delegacia, ambos negaram qualquer participação no atentado. O proprietário do veículo afirmou que apenas havia emprestado o automóvel a um conhecido e disse não ter envolvimento na ação criminosa. Já o segundo suspeito declarou trabalhar em um restaurante da família, afirmou desconhecer tanto a vítima quanto os motivos da prisão e também negou ser dono da arma, das drogas e dos demais objetos apreendidos.
Suposto “tribunal do crime”
As investigações ganharam novos desdobramentos após a divulgação de imagens que mostram a casa do policial sendo alvo de uma intensa rajada de disparos. As gravações reforçam a linha de apuração de que o atentado pode estar relacionado a uma sequência de crimes atribuída à facção Comando Vermelho (CV).
De acordo com as investigações, o ataque à residência do cabo ocorreu após um episódio conhecido como “tribunal do crime”, registrado no mesmo dia. Um homem foi executado no Ramal da Suzuki, no Distrito Industrial II, depois de ser submetido a um interrogatório gravado pelos criminosos. Nas imagens, a vítima aparece próximo de um telefone celular com um contato salvo como “Dantas Magalhães”.
Sob ameaça, o homem afirma ter comercializado drogas supostamente roubadas da própria organização criminosa e faz acusações envolvendo o policial militar.
“Ei Dantas, tu me deu droga arrochada dos irmão de camisa. Então entrega o resto que tu tem, aí, entendeu? Me deu lá no DB, 54 quilos”, declarou o homem no vídeo.
Após a execução, o corpo foi abandonado com um bilhete contendo a mensagem de que a vítima teria morrido por vender entorpecentes desviados da facção.
Policiais jurados de morte
A investigação também apura a circulação de um comunicado atribuído ao grupo criminoso que teria decretado a morte do cabo Dantas Magalhães e de outro policial militar, identificado como Alexandre da Silva Magalhães. No material, os criminosos acusam os agentes de supostamente terem se apropriado de cerca de quatro toneladas de drogas para repassá-las a traficantes rivais, além de oferecer recompensa por informações sobre o paradeiro dos militares.
A Polícia Civil ressalta, porém, que essas acusações partiram da organização criminosa e não foram confirmadas oficialmente. O Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) realizou perícias nos locais dos crimes, enquanto a Delegacia responsável busca esclarecer se há ligação entre a execução ocorrida no Ramal da Suzuki, o atentado contra a residência do policial e a atuação dos suspeitos presos.
As investigações continuam para identificar outros participantes da ação, esclarecer a motivação do ataque e verificar a autenticidade das acusações divulgadas pelo grupo criminoso, além de responsabilizar todos os envolvidos nos episódios de violência registrados na capital amazonense.









