Advogada revela que dívida com mais de 60 agiotas pode ter motivado Operação Tormenta

Paula Assunção afirma que denúncia partiu de servidora ameaçada e levanta polêmica sobre perdão de dívidas.

Foto: Reprodução

A advogada Paula Assunção revelou novos detalhes sobre a origem de uma operação policial em Manaus, apontando que o caso pode ter começado após a denúncia de uma servidora pública do Tribunal de Justiça que estaria endividada com mais de 60 agiotas. Segundo ela, a mulher teria entrado em um ciclo de empréstimos sucessivos para pagar dívidas anteriores, até chegar a um ponto em que não conseguiu mais arcar com os valores e passou a sofrer ameaças.

“Ela fazia tipo uma pirâmide de empréstimos. Pegava de uma pessoa para pagar outra, até que não teve mais de quem pedir. Quando começou a ser ameaçada, entendeu que a delegacia poderia dar suporte e fez a denúncia”, explicou a advogada.

Paula Assunção também destacou que nem todos os citados na investigação fariam parte de uma organização criminosa. “São cerca de 60 pessoas, algumas interligadas, outras não. Tem gente que fez empréstimos de forma isolada e acabou incluída nesse contexto”, afirmou.

Outro ponto levantado pela advogada é o possível efeito colateral da operação. Segundo ela, após o caso ganhar repercussão, algumas pessoas que contraíram empréstimos estariam utilizando a denúncia como forma de pressionar credores a perdoarem dívidas. “Se a pessoa vê a possibilidade de ser presa, ela abre mão da dívida. Isso está acontecendo. Tem gente dizendo que vai denunciar se não houver perdão”, declarou.

A advogada ainda ressaltou que a agiotagem, embora ilegal, é uma prática recorrente, inclusive com juros elevados semelhantes aos do sistema financeiro formal, o que torna o cenário ainda mais complexo do ponto de vista jurídico.

O caso segue em investigação e deve ser analisado individualmente pela Justiça, que irá determinar o grau de envolvimento de cada pessoa citada e os desdobramentos legais da operação.

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