Os trabalhadores do transporte coletivo de Manaus deflagraram uma greve geral no início da tarde desta segunda-feira (20/7). A convocação, anunciada pelas redes sociais e decidida em assembleia pela categoria, paralisou 100% da frota de ônibus em todas as zonas e terminais da capital.
Imagens registradas nas primeiras horas do movimento mostram veículos estacionados e bloqueando vias estratégicas do Centro, a exemplo das avenidas Leonardo Malcher e Constantino Nery, nas imediações do Terminal de Integração 1 (T1).
Atrasos de pagamentos
O estopim para a suspensão das atividades é o descumprimento no pagamento das folha salariais e vencimentos dos profissionais por parte dos consórcios operadores.
A deflagração ocorre a despeito de deliberações da Justiça do Trabalho, que fixaram sanção financeira diária de R$ 5 mil (com limite teto de R$ 100 mil) contra as concessionárias que atrasarem as remunerações.
O cenário do setor repete mobilizações recentes, como a ocorrida no início de julho pela falta de subsídios do passe estudantil pelo Governo do Amazonas — estimados entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões.
Diante do caos urbano, a orientação do sindicato repassada aos usuários é que busquem alternativas de locomoção, visto que não há cronograma oficial para a reabertura das garagens ou retomada das linhas.
Posição do sindicato
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Manaus, Givancir Oliveira, reiterou a interrupção imediata da operação e justificando o desgaste da negociação: “Não há outra alternativa a não ser cruzar os braços. A categoria cansou de promessas.”
Por meio de nota oficial emitida após o bloqueio das vias, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) manifestou repúdio perante a conduta da entidade trabalhista e contestou a legalidade da medida sem notificação antecipada:
“O Sinetram esclarece que jamais deixou de manter diálogo com o sindicato representativo dos trabalhadores rodoviários e permanece aberto à negociação e à busca de soluções para as questões relacionadas ao setor. Contudo, na data de hoje, não houve qualquer iniciativa de diálogo ou comunicação prévia por parte da entidade sindical acerca da paralisação, tampouco foi apresentado aviso prévio de que o movimento grevista seria deflagrado nesta data.”
A entidade patronal ressaltou ainda o impacto social da suspensão e adiantou as providências judiciais em andamento:
“O Sinetram reafirma sua permanente disposição para o diálogo responsável e espera que o serviço de transporte coletivo seja normalizado o mais rapidamente possível, reduzindo os prejuízos causados à população de Manaus.”
O sindicato patronal informou que ingressará com ações nos tribunais de modo a garantir o restabelecimento operacional =do serviço essencial.








