Manaus – O assassinato de Kildery Nascimento Cruz, de apenas 22 anos, chocou moradores do bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste de Manaus. Conhecido como “Pocotó”, o jovem foi encontrado esquartejado na noite desta segunda-feira (10), com partes do corpo espalhadas pela rua Alarico Furtado. Um detalhe macabro expôs ainda mais a crueldade dos criminosos: a tatuagem de um calango — símbolo da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) — foi arrancada a faca, num claro recado de facção rival.
Kildery havia feito parte do PCC, mas nos últimos meses lutava para mudar de vida. Trabalhou na empresa Águas de Manaus, passou a frequentar uma igreja evangélica na comunidade e era visto por vizinhos como alguém determinado a seguir um novo caminho. No entanto, mesmo tentando se afastar do crime, ele já havia relatado ameaças e escapado recentemente de uma tentativa de sequestro perto da igreja.
Ao lado dos restos mortais, os assassinos deixaram um bilhete com uma mensagem direta: “Destino do PCCU é esse. CV-AM que impera”. A frase indica a autoria do crime por parte do Comando Vermelho no Amazonas (CV-AM) e revela a disputa brutal entre facções criminosas que ainda fazem vítimas na capital.
A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) investiga se o crime está relacionado a dívidas antigas com o tráfico, disputas territoriais ou à decisão de Kildery de abandonar a organização criminosa. O caso levanta novamente o alerta sobre a dificuldade de reinserção de ex-integrantes do crime organizado e o risco constante a que são submetidos mesmo quando tentam uma nova vida.








