Pai que matou filho de 6 anos em Itapiranga chora ao descobrir morte do menino

A Justiça do Estado do Amazonas acatou as representações formuladas pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e pela promotora Suelen Shirley, do Ministério Público (MPAM), convertendo em preventiva a prisão em flagrante de Reulist Valente Miranda, de 24 anos. O jovem é indiciado pelo homicídio qualificado por motivo fútil de seu próprio filho, o pequeno Raelyson da Silva, de apenas 6 anos.

A deliberação ocorreu durante audiência de custódia realizada no último domingo (19/7), em Itapiranga (distante 227 quilômetros da capital), e definiu o recambiamento imediato do acusado para um presídio em outro município.

O procedimento judicial revelou o nível de discernimento do investigado no momento de sua prisão. De acordo com o delegado Aldiney Nogueira, titular da 38ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), Reulist só tomou conhecimento do falecimento do filho perante o juiz:

“A revelação desse trágico desfecho provocou reação de desespero e crises de choro no indiciado somente durante a audiência de custódia. Até então, ele supunha que a criança permanecia no hospital em razão da perfuração. Ele não teve permissão para receber visitas no período de custódia e, no instante da prisão em flagrante na sua casa, apresentava nítida alteração por consumo de bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes ilícitas, quadro que o impediu de assimilar a gravidade do ato no primeiro momento”, explicou o delegado.

Pai preso em Itapiranga após morte de menino de 6 anos
Pai foi preso em flagrante após a morte do filho de 6 anos em Itapiranga; a Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso.

Castigo por causa de carnes

O crime começou a ser desvendado no sábado (18/7), quando Raelyson deu entrada na unidade hospitalar da cidade com um profundo golpe de faca na região lombar. A equipe médica desconfiou do relato inicial fornecido pelo pai e acionou de imediato os policiais civis e militares. No hospital, o suspeito contou que o menino havia sofrido uma queda acidental sobre a lâmina.

Conduzido à delegacia após ser localizado em casa, o acusado mudou a versão dos fatos ao ser formalmente interrogado. Reulist admitiu ter agredido o menino como uma “correção”. A motivação estaria ligada ao sumiço de uma sacola de carne que o suspeito havia comprado, ocasião em que ordenou que o filho vigiasse o alimento. Diante do desparecimento do pacote, o homem castigou o filho.

O agressor afirmou ter desferido um golpe com uma mochila contra as costas da criança, alegando ter esquecido que o acessório guardava duas facas de grande porte utilizadas em pescarias. O impacto fez com que uma das ferramentas perfurasse o tecido da bolsa e atingisse o rim de Raelyson, provocando a lesão fatal.

Histórico e medida cautelar

Segundo consultas nos bancos de dados da Secretaria de Segurança, Reulist Valente Miranda já registra antecedente criminal anterior por envolvimento em um crime de furto no ano de 2024, praticado em Manaus.

A manutenção de sua prisão cautelar foi fundamentada na garantia da ordem pública e no risco de protestos no município. A autoridade policial destacou que a soltura do autor poderia desencadear reações populares violentas e manifestações de rua em Itapiranga.

A tipificação do inquérito permanece fixada como homicídio doloso qualificado por motivo fútil consumado, e as investigações seguem para o encerramento do laudo conclusivo.

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