O protesto dos Amarelinhos em Manaus interrompeu o trânsito na manhã desta quinta-feira (2), na Avenida Grande Circular, no bairro Jorge Teixeira, zona Leste da capital. Durante a manifestação, trabalhadores do transporte alternativo incendiaram um micro-ônibus e bloquearam a via em protesto contra o atraso no pagamento do subsídio da passagem estudantil. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) controlou as chamas e ninguém ficou ferido.
Protesto dos Amarelinhos em Manaus causa bloqueio e incêndio de veículo
Segundo os representantes da categoria, a Prefeitura de Manaus está há cerca de três meses sem repassar os valores destinados ao subsídio da passagem estudantil. Por isso, os permissionários afirmam que enfrentam dificuldades para abastecer os veículos e realizar manutenções.
Além disso, os manifestantes informaram que aproximadamente 120 mil passageiros utilizam diariamente o transporte alternativo nas zonas Leste e Norte da capital. Atualmente, a tarifa técnica do sistema é de R$ 8,30, enquanto os usuários pagam R$ 5. A diferença, segundo a categoria, depende do subsídio do poder público.
Durante o protesto, um dos micro-ônibus, que estava parado em uma oficina por falta de recursos para manutenção, foi incendiado pelos próprios manifestantes. Com isso, o trânsito ficou totalmente interrompido por alguns minutos.
Enquanto isso, equipes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e da Polícia Militar organizaram o tráfego e negociaram com os trabalhadores. Em seguida, os policiais conseguiram liberar a passagem de veículos em intervalos de aproximadamente um minuto.
Categoria ameaça ampliar manifestações
O presidente de uma das cooperativas, Claudionar Proença, afirmou que novos protestos poderão ocorrer caso a Prefeitura não regularize os repasses financeiros.
Segundo ele, outros veículos que permanecem parados em oficinas poderão ser incendiados em diferentes pontos da cidade caso a categoria não receba uma resposta.
Além disso, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Complementar (Sindcomplementar), Sullivan Santos, declarou que o sistema enfrenta uma grave crise financeira. Conforme o dirigente, muitas cooperativas não conseguem mais custear combustível nem realizar as manutenções obrigatórias da frota.
Prefeitura afirma que mantém diálogo com a categoria
Em nota, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) informou que a paralisação ocorreu por iniciativa isolada de apenas uma cooperativa e não contou com a adesão da maioria dos permissionários.
Além disso, o órgão afirmou que mantém diálogo permanente com a categoria e informou que os critérios para o pagamento do subsídio estão em fase final de definição, com base em estudo técnico.
Segundo o IMMU, o pagamento dependerá do cumprimento de requisitos técnicos e administrativos, como adequação das rotas, atualização dos quadros de horários, capacitação dos operadores e renovação gradual da frota.
O instituto também destacou que concluiu recentemente o processo de licitação e regulamentação do transporte complementar após mais de dez anos. Por fim, informou que analisa a documentação entregue pelas cooperativas para viabilizar o pagamento do subsídio referente às gratuidades estudantis.
O transporte alternativo de Manaus atende milhares de passageiros diariamente, principalmente nas zonas Norte e Leste. Por isso, qualquer paralisação provoca impactos imediatos na mobilidade urbana e dificulta o deslocamento de trabalhadores e estudantes.
Enquanto isso, a Prefeitura e os representantes das cooperativas seguem em negociação para buscar uma solução que garanta a continuidade do serviço.
Apesar da liberação parcial do trânsito ainda durante a manhã, a categoria afirmou que poderá promover novas manifestações caso os repasses não ocorram. Agora, a expectativa é que as negociações avancem nos próximos dias para evitar novos transtornos à população.
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