Manaus supera média nacional e tem 97% das crianças de até 6 meses com amamentação exclusiva

Índice na capital amazonense saltou de 27% em 2018 para quase 98% em 2025; dado é mais que o dobro da média brasileira.

Manaus atingiu uma marca histórica na saúde pública infantil. No último ano, a capital amazonense registrou um índice de 97,8% de crianças alimentadas exclusivamente com leite materno até os seis meses de vida. O número é significativamente superior à média nacional, que é de 45,8%, segundo dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab), do Ministério da Saúde.

O cenário atual revela um salto expressivo em menos de uma década. Em 2018, o indicador de aleitamento exclusivo na capital era de apenas 27,24%. De acordo com o levantamento de 2025, das 32.819 crianças nascidas vivas no município, 32.108 mantiveram a amamentação exclusiva no primeiro semestre de vida.

Estratégias de incentivo

Para a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o crescimento sistemático é fruto de políticas públicas integradas. A enfermeira Ivone Amazonas, técnica do Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente (Nusca), destaca a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (Eaab) como um dos pilares dessa mudança.

“Conseguimos implementar a estratégia em 106 unidades de saúde, tendo 24 certificadas pelo Ministério da Saúde. Os profissionais são treinados sobre como incentivar a amamentação e ajudar a mãe em situações como a fissura mamária”, explica a técnica.

Além disso, Manaus atua com a iniciativa Hospital Amigo da Criança (Ihac), uma proposta da OMS e Unicef. Para receber o selo, a maternidade deve cumprir dez passos, que incluem:

  • Cuidado humanizado no pré e pós-parto;

  • Proibição do uso de bicos, chupetas e fórmulas infantis indevidas;

  • Garantia de permanência 24h dos pais junto ao recém-nascido.

Mobilização e Apoio à Mulher Trabalhadora

A rede de apoio se estende para além das unidades de saúde. A prefeitura investe em campanhas como o Agosto Dourado e a Doação de Leite Humano, além do Método Canguru, que foca no contato pele a pele e no cuidado com bebês de baixo peso após a alta hospitalar.

Outro ponto destacado pela Semsa é a estratégia Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA), desenvolvida em parceria com o Estado, que busca criar uma cultura de respeito ao aleitamento em empresas públicas e privadas.

‘Primeira Vacina’

O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam a amamentação até os dois anos ou mais, sendo exclusiva nos primeiros seis meses. Ivone Amazonas reforça que o leite materno é completo e dispensa inclusive a ingestão de água nesse período inicial.

“A amamentação é a primeira vacina do bebê. O leite contém todos os nutrientes, vitaminas e sais minerais, além de anticorpos contra doenças gastrointestinais e respiratórias, que são as principais causas de morte infantil”, pontua a enfermeira. Estudos também apontam que o aleitamento contribui para um maior Quociente de Inteligência (QI) e fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho.

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