Com carinho e receitas regionais, merendeiras da Prefeitura de Manaus celebram papel no aprendizado e disputam prêmio nacional

Três unidades de ensino da capital se classificaram para etapa final de concurso do Ministério da Educação; creche municipal conquistou nota máxima com ‘Refogadinho de Caruru’.

A merenda escolar desempenha um papel decisivo no desenvolvimento físico e cognitivo de crianças e adolescentes. Na rede municipal de ensino de Manaus, esse cuidado ganha o reforço diário e afetivo das manipuladoras de alimentos — popularmente conhecidas como merendeiras. Com dedicação e cardápios adaptados, essas profissionais celebram o impacto de seu trabalho no futuro dos alunos e, agora, colocam a capital amazonense em destaque no cenário nacional.

Esse ecossistema de afeto e criatividade levou três unidades de ensino da Prefeitura de Manaus a se classificarem para a terceira etapa do concurso nacional “Melhores Receitas da Alimentação Escolar”, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Os pratos, baseados em ingredientes regionais, valorizam e resgatam a cultura alimentar amazônica.

‘Tempero é o amor’

Ivanete dos Santos, merendeira há nove anos, atua hoje na Creche Municipal Magdalena Arce Daou, de administração da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Após anos de experiência com estudantes do 6º ao 9º ano, ela agora encara o desafio de preparar refeições para bebês de 1 a 3 anos, cuja dieta restritiva proíbe, por exemplo, o uso de açúcar.

Para Ivanete, a maior recompensa está nos pratos vazios. “A gente faz com todo o carinho e as crianças recebem bem, porque elas repetem. Então, para a gente, é uma satisfação. Fazer uma coisa com gosto e ver as crianças aceitarem não tem preço”, relata.

O sentimento é compartilhado por Jaqueline Silva, merendeira há quatro anos na Creche Municipal Manuel Octávio Rodrigues de Souza. Ela aponta o afeto como a principal ferramenta na cozinha:

“Eu trabalho como se estivesse cozinhando para os meus próprios filhos. Então, a comida sai com amor, com apego e cuidado.”

Jaqueline conta que a interação com os pequenos transforma a rotina. “O interessante é que, quando o prato chega para eles, eles olham e dizem: ‘Hum, gostoso!’. E quando provam, olham para a gente e fazem o sinal de positivo com o dedinho na janelinha do refeitório. Isso não tem preço que pague. É muito gratificante exercer essa função. A gente cria um amor genuíno por essas crianças.”

Reconhecimento e receitas disputadas pelos pais

O sucesso dos cardápios ultrapassa os muros das escolas e chega até as famílias, que frequentemente procuram as profissionais em busca de dicas para replicar os pratos em casa.

“Teve criança que chegou ao portão e falou para a avó: ‘Vó, eu comi a melhor sopa da minha vida!’. É uma gratificação enorme receber um elogio assim. Os pais estão sempre por aqui acompanhando os filhos e, graças a Deus, recebemos muito reconhecimento”, conta Ivanete.

Em outro caso, uma mãe procurou Jaqueline para desvendar o “segredo” do mingau de arroz da creche, já que a filha rejeitava a versão caseira. A surpresa veio ao descobrir que a receita escolar segue rigorosamente o padrão de não levar açúcar. “Quando explicamos a receita, ela se surpreendeu: ‘Interessante, porque em casa eu coloco açúcar e vocês não colocam, e ela prefere o da creche’”, relembra a merendeira.

O cuidado vai além do prato e passa pelo incentivo lúdico na hora da refeição. “A gente interage o tempo todo. Fica na janelinha dizendo: ‘Come para ficar forte! Olha, tá gostoso!’. A gente até finge que está comendo para empolgar. Eles entram na brincadeira e dizem: ‘Tia, eu já tô forte!’”, acrescentou Jaqueline.

Destaque no ranking nacional

A dedicação das profissionais rendeu excelentes pontuações na avaliação do concurso do FNDE/MEC. A capital do Amazonas garantiu três representantes nas finais da competição regional e nacional:

  • Creche Municipal Magdalena Arce Daou: Alcançou o topo do ranking geral do Estado do Amazonas nesta etapa, conquistando a nota máxima (100 pontos) com a receita “Refogadinho de Caruru”.

  • Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Manuel Bandeira: Assegurou a vaga na final com 98 pontos.

  • Creche Municipal Manuel Octávio Rodrigues de Souza: Também classificada com a pontuação de 98 pontos.

Premiação e melhorias na infraestrutura

O concurso nacional vai premiar 55 merendeiras e merendeiros em todo o país. Cada profissional vencedor receberá um prêmio de R$ 5 mil em dinheiro, e as receitas serão publicadas em um e-book digital oficial do Ministério da Educação.

Já as escolas integradas aos vencedores ganharão um repasse de R$ 8 mil. De acordo com o regulamento do FNDE, esse recurso deverá ser obrigatoriamente revertido na aquisição de novos equipamentos ou em melhorias estruturais nas cozinhas das próprias unidades escolares.

Para votar e apoiar as merendeiras de Manaus, a população pode acessar a página oficial do Governo Federal até o dia 30 de maio: Votação Concurso Melhores Receitas.

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