Líder de organização criminosa é condenado a 28 anos por tráfico interestadual de drogas no AM

Hands of men desperate to catch the iron prison,prisoner concept,thailand people,Hope to be free.

Outras seis pessoas também receberam penas por participação no esquema, que envolvia envio de skunk para outros estados e lavagem de dinheiro

A Justiça do Amazonas condenou a 28 anos de prisão Rubens Carvalho de Almeida, apontado como líder de uma organização criminosa especializada no tráfico interestadual de drogas e na lavagem de dinheiro. A sentença foi proferida na terça-feira (16) pela 2ª Vara de Delitos de Tráfico de Drogas da Comarca de Manaus.

Além de Rubens, outras seis pessoas foram condenadas no mesmo processo, com penas que variam de quatro a 13 anos de prisão. Ao todo, sete réus foram sentenciados em ação penal movida pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM). Da decisão, ainda cabe recurso.

Liderança no esquema e prisão mantida

De acordo com a decisão judicial, Rubens exercia papel central de liderança na organização criminosa, sendo responsável pelo transporte de grandes quantidades de drogas — principalmente maconha do tipo skunk — do Amazonas para outros estados do país.

Diante da gravidade dos crimes e do risco à ordem pública, a juíza Rosália Guimarães Sarmento manteve a prisão preventiva do réu e negou o direito de recorrer em liberdade. A magistrada também determinou a perda de bens e valores apreendidos, que serão revertidos em favor da União.

Operação Véu de Areia

A condenação é resultado de investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-AM, em conjunto com a Polícia Civil do Amazonas. O trabalho culminou na deflagração da Operação Véu de Areia, em agosto deste ano, quando Rubens Carvalho foi preso.

Segundo o Ministério Público, o grupo utilizava empresas de fachada e “laranjas” para ocultar e dissimular os valores obtidos com o tráfico de drogas entre estados.

Veja quem são os condenados

Além de Rubens Carvalho de Almeida, condenado a 28 anos de prisão, também foram sentenciados:

  • Ingrid Vital de Almeida, esposa de Rubens, condenada a 13 anos de prisão, em regime fechado, por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ela poderá recorrer em liberdade, pois respondeu ao processo solta;

  • Rômulo Lima Ferreira, irmão de Rubens, condenado a 11 anos e oito meses de reclusão, em regime fechado, por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele também poderá recorrer em liberdade;

  • Leandro da Silva Malizia, condenado a 11 anos e dois meses de prisão por ocultação de patrimônio, incluindo depósitos em espécie que somaram mais de R$ 260 mil sem justificativa legal;

  • Paula Eduarda Rocha Andrade, esposa de Leandro, condenada a 10 anos de prisão. Ambos poderão recorrer em liberdade;

  • José Félix de Jesus Filho e Daniel Carvalho da Silveira, condenados a quatro anos e seis meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de organização criminosa. Segundo a sentença, eles atuavam de forma operacional no transporte das drogas.

Os empresários Guildo Saturnino Uchôa, Wandemberg da Silva Uchôa e Gutemberg da Silva Uchôa foram absolvidos. A Justiça entendeu que a relação deles com Rubens era apenas comercial, sem provas de que tivessem conhecimento das atividades ilícitas.

Já em relação a Manoel Antônio Vital, sogro de Rubens e pai de Ingrid, o processo foi suspenso após determinação de instauração de incidente de insanidade mental.

Investigação e apreensões

As investigações tiveram início a partir da Operação Carga Viva – Fase II, que apurou crimes de lavagem de capitais atribuídos à organização. Conforme a denúncia, Rubens Carvalho era o mentor intelectual e financeiro do esquema, coordenando o envio de drogas para estados como Rio Grande do Norte e Pará.

Ainda segundo o MP-AM, Ingrid Vital era responsável por movimentar contas bancárias e ocultar a origem ilícita dos recursos. A investigação identificou milhares de depósitos em espécie de pequenos valores, estratégia utilizada para evitar alertas automáticos dos órgãos de controle. Apenas Rubens teria movimentado mais de R$ 6,8 milhões em menos de um ano.

O caso ganhou força após a apreensão de um caminhão boiadeiro em Macaíba (RN), onde foram encontrados 72 quilos de maconha escondidos em um fundo falso. Em outra ação, um caminhão registrado em nome de uma empresa ligada a Ingrid Vital foi apreendido em Ipixuna (PA), transportando cerca de uma tonelada de skunk.

Segundo o Ministério Público, toda a droga apreendida pertencia à organização criminosa liderada por Rubens Carvalho de Almeida. O processo segue agora na fase de intimação das partes sobre a sentença de primeira instância.

Artigo anteriorVÍDEO: Criminosos agridem clientes e funcionários durante assalto a loja no AM
Próximo artigoSilvio Santos é homenageado com nome em rodovia de São Paulo