Justiça condena mãe e irmão de Djidja Cardoso por tráfico de cetamina

A Justiça do Amazonas condenou, pela segunda vez, sete integrantes de um esquema de tráfico de cetamina em Manaus, entre eles Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto, mãe e irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, encontrada morta em maio de 2024.

A nova sentença foi proferida nesta quarta-feira (22/7) pela juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), quase dez meses após a anulação da decisão anterior por falhas processuais apontadas pelo Ministério Público (MPAM).

Conforme a magistrada, ficou comprovado que a rede de ilícitos funcionava por meio dos salões de beleza da rede Belle Femme e servia de suporte para o consumo e a oferta da substância com efeitos alucinógenos no âmbito de rituais promovidos pela seita religiosa “Pai, Mãe, Vida”.

As apurações que fundamentaram o processo, originadas na Operação Mandrágora, apontaram a ocorrência de cárcere privado e violência sexual contra vítimas mantidas sob o efeito entorpecente da droga. O caso ganhou repercussão nacional após a morte da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, em 28 de maio de 2024.

A necropsia do Instituto Médico Legal (IML) revelou parada cardiorrespiratória motivada por edema cerebral, e as buscas no imóvel da vítima resultaram na apreensão de seringas, bulas, ampolas e frascos de cetamina ocultados e enterrados no quintal.

Penas aplicadas e modus operandi

Na dosimetria da pena, a magistrada definiu a liderança do grupo e o papel individual exercido por cada integrante no fluxo de compra, armazenamento e repasse da cetamina obtida no estabelecimento veterinário MaxVet:

  • Cleusimar Cardoso Rodrigues (Mãe de Djidja): Condenada a 10 anos e 11 meses de reclusão em regime fechado. Apontada na sentença como a “principal articuladora e líder da associação criminosa”;

  • Ademar Farias Cardoso Neto (Irmão de Djidja): Condenado a 10 anos e 11 meses de reclusão em regime fechado, responsabilizado como “braço executivo” das diretrizes do grupo;

  • Hatus Moraes Silveira (Personal Trainer): Condenado a 10 anos e 5 meses de reclusão em regime fechado, atuando como intermediário e encarregado do suporte logístico;

  • José Máximo Silva de Oliveira (Médico Veterinário e dono da MaxVet): Condenado a 10 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado, por prover e abastecer o grupo com a substância restrita;

  • Verônica da Costa Seixas (Gerente): Condenada a 10 anos de reclusão em regime fechado, por operar na aquisição e ocultação de insumos;

  • Sávio Soares Pereira (Funcionário de clínica veterinária): Condenado a 9 anos de reclusão com início de cumprimento em regime semiaberto, responsável por efetuar negociações diretas pelo aplicativo WhatsApp;

  • Bruno Roberto da Silva Lima (Ex-companheiro de Djidja Cardoso): Condenado a 8 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, atuando no incentivo ao uso do anestésico e no suporte de compra.

O Poder Judiciário determinou a manutenção da prisão preventiva para Cleusimar Cardoso, Ademar Cardoso, José Máximo e Hatus Moraes, negando-lhes o direito de recorrer da decisão em liberdade.

Por outro lado, Verônica da Costa Seixas, Sávio Soares Pereira e Bruno Roberto da Silva Lima obtiveram permissão para aguardar os recursos do processo fora do ambiente prisional, mediante o cumprimento obrigatório de medidas cautelares alternativas, incluindo o monitoramento eletrônico via tornozeleira.

Por falta de provas suficientes de autoria ou materialidade quanto à prática dos crimes de tráfico e associação para o tráfico de drogas, a magistrada absolveu três acusados arrolados na denúncia original: o motoboy Emicley Araújo Freitas e os maquiadores Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas.

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