O mapa da violência de gênero no Amazonas revela que, entre janeiro e maio de 2026, o estado registrou nove casos de feminicídio. O balanço indica uma alta em comparação com o mesmo período de 2025, quando seis mortes foram notificadas.
Os dados são baseados em boletins de ocorrência das delegacias da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e em laudos técnicos do Instituto Médico Legal (IML). Do total de ocorrências registradas nos primeiros cinco meses deste ano, cerca de 78% das vítimas tinham idade superior a 35 anos.
Em relação à distribuição geográfica dos crimes de ódio contra mulheres, a capital, Manaus, concentrou quatro registros. Os outros cinco casos ocorreram distribuídos em municípios do interior, sendo: Barcelos (1), Carauari (1), Coari (1), Manaquiri (1) e São Gabriel da Cachoeira (1).
Armas brancas prevalecem
A análise dos instrumentos utilizados nos assassinatos mostra que as armas brancas, como facas, foram os meios mais comuns, respondendo por quatro das mortes.
A violência física severa foi a causa do óbito em duas ocasiões e, em outros dois casos apurados pelos investigadores, a forma usada para cometer o crime não pôde ser identificada inicialmente pelas equipes periciais.
Atuação da rede de apoio
O feminicídio passou a contar com uma tipificação específica na legislação nacional no ano de 2015, por intermédio da Lei nº 13.104, que inseriu a qualificadora no Código Penal para punir de forma mais severa os homicídios motivados pelo gênero da vítima.
Em posicionamento oficial sobre o atual cenário estatístico, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) explicou que desenvolve uma estratégia integrada de enfrentamento ao problema envolvendo a Polícia Militar (PMAM) — com foco na Ronda Maria da Penha —, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros (CBMAM) e o Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC).
A pasta ressaltou a eficácia das ações de monitoramento preventivo, afirmando que “nenhuma mulher acompanhada pela Ronda Maria da Penha foi vítima de feminicídio”.
De acordo com a SSP-AM, a preservação dessas vidas está diretamente associada ao “acompanhamento das vítimas, à fiscalização do cumprimento de medidas protetivas e ao atendimento prestado às mulheres em situação de violência”.








