MPF acusa médicos e hospital por experimento que pode ter causado 200 mortes

Ação aponta falhas graves, uso irregular do medicamento e possível relação com cerca de 200 mortes em meio ao colapso da Covid-19 em 2021

Foto; Arquivo

O Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública pedindo R$ 85 milhões em indenização contra médicos, a União e o Grupo Samel por um estudo com o medicamento proxalutamida realizado no Amazonas durante a pandemia de Covid-19, que pode ter contribuído para a morte de cerca de 200 pacientes em 2021. Segundo o MPF, o experimento foi conduzido com diversas irregularidades, incluindo alterações no protocolo original, aplicação do medicamento em pacientes em estado grave, uso fora das condições autorizadas e falhas no processo de consentimento. A ação também aponta omissão ou atraso na comunicação de efeitos adversos graves e a ampliação do estudo para o estado sem autorização adequada dos órgãos reguladores, o que pode ter agravado o quadro clínico dos pacientes e contribuído diretamente para os óbitos.

O caso remete ao período mais crítico da pandemia no Amazonas, marcado pelo colapso do sistema de saúde e pela pressão por tratamentos emergenciais. Nesse cenário, a utilização de medicamentos sem eficácia comprovada ganhou espaço, levantando questionamentos sobre os limites éticos na condução de pesquisas clínicas em situações extremas. A proxalutamida, embora tenha sido apontada como alternativa terapêutica à época, nunca obteve validação científica robusta contra a Covid-19, o que intensifica o debate sobre responsabilidade médica, transparência e segurança dos pacientes.

Além da indenização milionária, o MPF pede reparação às famílias das vítimas e a adoção de medidas que evitem novos casos semelhantes. A decisão da Justiça Federal pode se tornar um marco na responsabilização de estudos realizados em contextos de emergência sanitária no Brasil.

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Foto: Arquivo

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