A Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Tormenta e desarticulou um esquema milionário de agiotagem e extorsão que atuava em Manaus e tinha como principais alvos servidores públicos. A ação, coordenada pelo 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), resultou em prisões, apreensão de bens de luxo e no bloqueio judicial de ativos financeiros ligados ao grupo.
Segundo as investigações, a organização criminosa operava com empréstimos ilegais, cobrando juros abusivos e utilizando ameaças, intimidação e violência psicológica para forçar o pagamento das dívidas. A operação cumpriu mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, além da quebra de sigilo telefônico dos suspeitos.

Vítimas relatam ameaças e prejuízos milionários
Entre as vítimas identificadas está uma servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas, que revelou ter sido alvo de ameaças constantes de morte e até de sequestro do filho. De acordo com o relato, ela contraiu um empréstimo de cerca de R$ 5 mil em 2019, mas a dívida teria ultrapassado R$ 500 mil ao longo dos anos.
A servidora afirma que perdeu mais de R$ 1,5 milhão entre transferências bancárias e a entrega de bens, incluindo dois imóveis e um veículo. Áudios obtidos pela investigação mostram suspeitos ameaçando sequestrar familiares e atacar veículos oficiais, o que causou forte abalo emocional à vítima e à sua família.

Esquema usava banco de fachada para lavar dinheiro
De acordo com o delegado Cícero Túlio, titular do 1º DIP, o grupo era dividido em núcleos responsáveis por empréstimos, cobranças e lavagem de dinheiro. O principal investigado, apontado como líder do esquema, seria proprietário de uma instituição financeira usada como fachada para ocultar a origem dos valores obtidos ilegalmente.
Durante a operação, os policiais apreenderam veículos de luxo, armas, dinheiro em espécie, celulares, computadores e documentos. Ao todo, seis homens foram presos. A polícia identificou pelo menos cinco vítimas diretas, mas acredita que o número pode ser maior.


Investigações continuam
A Justiça autorizou as medidas cautelares com base nas provas reunidas ao longo da investigação. Os suspeitos devem responder por extorsão, agiotagem, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O inquérito segue em andamento para identificar outras possíveis vítimas e ramificações do esquema.
Em nota, o Tribunal de Justiça informou que não irá se manifestar sobre o caso. A defesa de um dos investigados declarou que só irá se pronunciar após ter acesso completo aos autos do processo.









