Deputado Capitão Alberto Neto apresenta projeto que cria marco legal contra a pirataria fluvial no Brasil

Proposta tipifica crime, endurece penas e mira proteção da navegação, do abastecimento e de comunidades ribeirinhas

Brasília – O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) apresentou à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 229/2026, que cria um marco legal para o combate à pirataria fluvial no Brasil e tipifica, pela primeira vez, o crime de forma específica no ordenamento jurídico.

Segundo o parlamentar, a medida busca enfrentar um problema que, de acordo com ele, afeta diretamente a segurança pública, o abastecimento regional e a economia principalmente na Amazônia, onde os rios são as principais vias de transporte.

“A pirataria fluvial afeta diretamente a segurança pública, o abastecimento regional, a economia e a vida de milhares de brasileiros, especialmente na Amazônia, onde os rios são verdadeiras estradas”, afirmou o deputado.

Mudança no Código Penal

O texto prevê alteração no Código Penal, com a criação do artigo 262-A, que define como pirataria fluvial crimes como assalto, saque, captura, retenção ou controle de embarcações, além do roubo de bens transportados em rios e hidrovias interiores, quando praticados com violência, grave ameaça ou fraude.

A pena prevista é de 4 a 8 anos de reclusão, além de multa, com possibilidade de aumento conforme a gravidade.

Penas podem chegar a 12 anos

O projeto também estabelece agravantes em casos como:

  • uso de arma de fogo de uso restrito

  • atuação de organizações criminosas

  • ocorrência de morte ou lesão corporal gravíssima

  • ataques a transporte público ou a bens essenciais

  • situações com dano ambiental, derramamento de combustível ou interrupção do abastecimento em comunidades isoladas

Nessas hipóteses, a pena pode chegar a 12 anos de prisão, com aumento adicional de até o dobro.

“Vácuo legislativo histórico”, diz deputado

Capitão Alberto Neto argumenta que hoje os crimes cometidos em rios são enquadrados em outros artigos do Código Penal, o que, segundo ele, reduz a gravidade jurídica dos casos e dificulta ações contra o crime organizado.

“Os crimes praticados nos rios são enquadrados de forma fragmentada em outros dispositivos penais, e isso diminui a gravidade dos casos”, disse.

Foco na Amazônia Legal

O parlamentar cita que, no Amazonas e em outros estados da região Norte, quadrilhas atuam de forma organizada com foco em cargas como combustível, motores, medicamentos, alimentos, armas e embarcações, além de registros de sequestro e extorsão de tripulantes e passageiros.

Para o deputado, o projeto amplia a capacidade do Estado de proteger rotas logísticas e comunidades isoladas.

“O fortalecimento da segurança da navegação fluvial é estratégico para o Brasil”, afirmou.

Foto: Assessoria

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