Cabo da PM é preso suspeito de entregar empresário ao ‘tribunal do crime’ em Manaus

Uma operação conjunta do Ministério Público do Amazonas (MPAM) prendeu preventivamente, na noite desta sexta-feira (17/7), um cabo da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) investigado por suposto envolvimento no sequestro do empresário Roberth Igor Santos Sousa, de 32 anos, ocorrido no último dia 14 de julho, na zona norte de Manaus.

Batizada de Operação Prova Viva, a ação também cumpriu três mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus.

O militar, cuja identidade não foi divulgada, recebeu voz de prisão ao chegar para assumir o serviço na 12ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom). Segundo o MPAM, a medida tem caráter cautelar e integra as investigações que apuram a participação do policial no sequestro do empresário.

Relembre o caso

Conforme a investigação, Roberth Igor Santos Sousa foi sequestrado enquanto dirigia uma BMW verde na rua Francisca Mendes, no conjunto Canaranas. A apuração aponta que, após ser capturado, o empresário teria sido entregue a integrantes de uma organização criminosa para ser submetido ao chamado “tribunal do crime”, prática utilizada por facções para punir pessoas acusadas de descumprir regras impostas pelo grupo.

Durante a “averiguação”, os próprios integrantes da facção concluíram que as acusações contra o empresário eram falsas e decidiram libertá-lo. Após ser solto, a vítima compareceu à DEHS, onde prestou depoimento e forneceu informações que passaram a integrar o inquérito.

Apesar da libertação do empresário, o Ministério Público afirma que a investigação prossegue para esclarecer toda a dinâmica do crime, identificar os responsáveis, apurar a motivação do sequestro e verificar se havia intenção de homicídio por parte dos investigados.

Além da prisão preventiva, as equipes cumpriram três mandados de busca e apreensão. Durante as diligências, foram recolhidas armas de fogo, cuja documentação de regularidade não foi apresentada no momento da fiscalização, além de quantias em dinheiro que passarão por análise para verificar eventual ligação com os fatos investigados. Todo o material será submetido à perícia técnica.

Investigações continuam

Segundo o promotor de Justiça Amando Gurgel Maia, as investigações não se restringem ao policial preso. “As investigações permanecem em andamento para apurar a eventual participação de outras pessoas no crime”, afirmou.

O MPAM informou que parte das diligências permanece sob sigilo de Justiça, medida considerada necessária para preservar a eficácia da investigação e garantir o aprofundamento das apurações sobre o possível envolvimento de outros participantes no sequestro e na entrega da vítima ao “tribunal do crime”.

A força-tarefa foi coordenada pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça Especializadas no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (Proceapsp), em conjunto com a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), com apoio do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e do Departamento de Justiça e Disciplina (DJD) da Polícia Militar.

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