A advogada e jornalista Liliane Araújo criticou publicamente a postura do governador interino Roberto Cidade após a divulgação de que ele teria “aberto mão” de acumular os salários de deputado estadual e governador. Segundo ela, a medida não representa uma escolha pessoal ou gesto de generosidade, mas sim uma obrigação prevista na Constituição Federal, que proíbe o acúmulo indevido de remunerações no serviço público.
Em tom crítico, Liliane também questionou a forma como parte da imprensa tratou o caso, classificando a atitude como “gesto de bondade”. Para a advogada, esse tipo de abordagem contribui para uma distorção da realidade, transformando o cumprimento da lei em ação excepcional.
A crítica se estende ainda a outras decisões recentes, como o rompimento de contratos com empresas ligadas a familiares. Segundo ela, tais medidas não têm como objetivo evitar “ruídos”, como apontado em reportagens, mas sim impedir práticas ilegais como nepotismo, favorecimento e enriquecimento ilícito.
O caso reacende o debate sobre a forma como ações obrigatórias por lei são comunicadas ao público. Especialistas apontam que quando obrigações legais são apresentadas como conquistas ou atos voluntários, há risco de construção de narrativas que favorecem a imagem política sem, necessariamente, representar mudanças estruturais na gestão pública.
A discussão também evidencia a importância do papel da imprensa na contextualização correta das informações, evitando reforçar interpretações que possam induzir o público a erro.
Ao final, a crítica reforça um ponto central: cumprir a lei não é diferencial, é dever. E transformar obrigações constitucionais em virtude pode, segundo especialistas, desviar o foco do que realmente deveria ser cobrado da gestão pública transparência, ética e resultados concretos para a população.








