O Ministério Público do Amazonas (MPAM) apresentou suas alegações finais sobre um dos episódios mais violentos do sistema prisional brasileiro e provocou uma reviravolta no caso das 55 mortes registradas em unidades prisionais de Manaus, em 2019.
No documento, o órgão afirmou não haver provas suficientes para sustentar a acusação contra José Roberto Fernandes Barbosa, conhecido como “Zé Roberto”, neste processo específico. Com isso, o MP pede que ele não seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Por outro lado, o Ministério Público entendeu que há indícios consistentes contra quatro investigados, que devem responder por participação na articulação das mortes: Maria Cleia Fernandes Barbosa, Marcelo Frederico Laborda Júnior, Andreza Rodrigues Lobo e Leandro dos Santos Chaves.
As mortes ocorreram entre os dias 26 e 27 de maio de 2019, durante uma série de rebeliões simultâneas em unidades prisionais como o Compaj, Ipat, UPP e CDPM1, resultando na morte de 55 detentos em um cenário de extrema violência.
As investigações apontam que os assassinatos estão ligados a disputas internas da facção criminosa Família do Norte, evidenciando o nível de organização e poder desses grupos dentro do sistema prisional.
A decisão do MP destaca um ponto central em processos envolvendo crime organizado: a dificuldade de comprovar a participação direta de lideranças, muitas vezes baseadas em ordens indiretas ou estruturas hierárquicas complexas.
Além disso, o caso expõe fragilidades históricas do sistema prisional brasileiro, especialmente no controle de facções e na prevenção de massacres.
Agora, caberá à Justiça decidir os próximos passos do processo. O juiz pode aceitar o pedido do Ministério Público, retirar “Zé Roberto” da ação e encaminhar os demais acusados ao Tribunal do Júri, ou determinar novas análises antes de qualquer decisão final. O caso segue em aberto e pode ter novos desdobramentos.
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