Avô postiço preso: Adolescente sofre mais de 18 abusos em Autazes; avó é detida por acobertar e coagir vítima

Foto: Divulgação/PC-AM

Um caso que chocou o interior do Amazonas expõe uma tragédia familiar: uma adolescente de 15 anos foi vítima de repetidos abusos sexuais por um homem que vivia com sua avó. A mulher, em vez de proteger a neta, tentou silenciá-la com ameaças. As prisões ocorreram no fim de semana, revelando um histórico criminal assustador do principal suspeito.

A delegacia de Autazes, cidade a cerca de 110 quilômetros de Manaus, recebeu uma denúncia anônima que deu início a uma das investigações mais perturbadoras dos últimos tempos. A denúncia alertava para crimes sexuais contra uma jovem de 15 anos.

Durante o depoimento especial – um procedimento que busca minimizar a revitimização –, a adolescente teve a coragem de narrar um pesadelo: mais de 18 episódios de abuso sexual cometidos pelo companheiro de sua avó, um homem de 43 anos.

“A adolescente prestou depoimento especial e relatou mais de 18 abusos sexuais cometidos pelo autor”, afirmou o delegado titular Wellington Militão, da 39ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP).

Os crimes ocorriam dentro da própria casa da avó, local onde a vítima residia. A confirmação veio não apenas pelo relato, mas por exames periciais que atestaram a violência sofrida pela jovem.

O Histórico Criminal que Assusta

O que torna o caso ainda mais grave é o passado do principal suspeito. O homem de 43 anos já havia sido condenado a 39 anos de prisão em 2005 pelos crimes de estupro, homicídio e ocultação de cadáver de uma criança de 11 anos.

Ele cumpria pena em regime de livramento condicional – uma liberdade vigiada concedida pela Justiça – quando voltou a cometer crimes hediondos. Diante das provas, a Justiça deferiu a prisão preventiva do acusado, que foi cumprida no sábado (7), em sua residência na comunidade Novo Céu.

A Avó que Virou Cúmplice

Enquanto a polícia agia para prender o autor dos abusos, um novo capítulo sombrio se desenrolava. A avó da vítima, uma mulher de 55 anos, foi até o local onde a adolescente estava após o ocorrido.

Lá, longe de oferecer apoio, ela iniciou uma série de chantagens psicológicas, pressionando a própria neta a retirar a queixa contra o companheiro. A tentativa desesperada de abafar o crime, no entanto, falhou.

“Assim que tomamos ciência da conduta da mulher, deslocamo-nos ao local e efetuamos sua prisão em flagrante pelo crime de coação no curso do processo”, relatou o delegado Wellington Militão.

A mulher foi presa no domingo (8) e agora responde não apenas por coação, mas também pode ser enquadrada como partícipe no crime de estupro de vulnerável, por ter tido conhecimento e acobertado os abusos.

Os Caminhos da Justiça

O caso segue agora para a esfera judicial, com acusações bem definidas:

O homem responde por estupro de vulnerável.
A mulher responde por coação no curso do processo e investigação por conivência no estupro.

Ambos estão presos e à disposição da Justiça. O caso reacende o debate sobre a efetividade do livramento condicional para criminosos condenados por crimes violentos e a urgência de redes de proteção mais eficazes para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade familiar.

A coragem da adolescente em denunciar, mesmo sob ameaças, e a intervenção rápida da polícia foram decisivas para interromper o ciclo de violência. O caso serve como um alerta sombrio: a violência, muitas vezes, habita os lugares que deveriam ser os mais seguros.

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