As Forças de Segurança do Amazonas, por meio da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), deflagraram nesta quarta-feira (20) a Operação “Covil do Mamon”, que resultou na prisão de 20 investigados envolvidos em um esquema criminoso de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 24 milhões. As investigações apontam ainda a participação dos suspeitos em homicídios consumados e tentados, torturas, sequestros e cárcere privado.
A ação foi coordenada pela Polícia Civil com apoio do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), Departamento de Inteligência da Polícia Civil (DIPC), Polícia Técnico-Científica (DPTC), Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e Polícia Militar do Amazonas (PMAM).
Segundo o delegado-geral da PC-AM, Bruno Fraga, a operação conseguiu atingir toda a estrutura das organizações criminosas.
“Conseguimos alcançar o núcleo operacional, financeiro e de comando dessas organizações que atuavam obtendo lucro por meio de extorsão e empréstimos ilegais”, afirmou.
As investigações identificaram que o grupo operava um sistema de empréstimos com juros abusivos e cobranças violentas. Conforme a polícia, vítimas eram submetidas a ameaças, agressões, torturas e até assassinatos quando não conseguiam quitar as dívidas.
De acordo com o delegado Fernando Bezerra, responsável pela investigação no 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP), alguns casos chamaram atenção pela escalada dos valores cobrados.
“Tivemos situações em que empréstimos de R$ 150 evoluíram para dívidas superiores a R$ 45 mil. Há registros que ultrapassaram R$ 400 mil”, explicou.
Durante a operação foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de 42 veículos e sete imóveis ligados aos investigados. Também houve bloqueio judicial de contas bancárias e suspensão das atividades de sete empresas associadas ao esquema.
As investigações ultrapassaram as fronteiras do Amazonas e alcançaram os estados da Paraíba, Roraima e Santa Catarina. Dois policiais militares foram presos em Santa Catarina durante a operação.
Segundo a Polícia Militar do Amazonas, ambos já respondiam a processos administrativos e estavam afastados das funções.
Além das prisões, os agentes apreenderam armas de fogo, espadas, celulares, computadores e diversos materiais que passarão por perícia. A Polícia Civil informou que uma segunda fase da investigação já está sendo preparada.
A Operação “Covil do Mamon” é considerada uma das maiores ofensivas recentes contra grupos envolvidos com agiotagem no Amazonas. As investigações revelaram uma estrutura criminosa organizada, com divisão entre lideranças, cobradores, operadores financeiros e logística armada para intimidação e execução das cobranças.
As autoridades apontam que o esquema movimentava milhões e utilizava violência extrema para manter o controle sobre as vítimas.
Dos 20 presos, sete foram capturados em Manaus e 13 em outros estados. A Polícia Civil segue analisando os materiais apreendidos e não descarta novas prisões nas próximas fases da operação.
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